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Dear John: Pamplona e Saint Jean Pied Port

Quando cheguei em Pamplona os albergues já estavam fechados, então avistei um peregrino que havia me ajudado a descer a bicicleta do trem e perguntei se ele sabia onde iria dormir. Como ele também não havia planejado, perguntamos onde era o hotel mais próximo para os taxistas e decidimos dividir um quarto.
Ao explicar para minha irmã que dividiria o quarto com um peregrino, ela disse: “Durma com um olho fechado e o outro aberto!” E claro que sempre ficamos preocupadas, mas este compartilhamento de ambientes é uma constante no caminho.

Em frente à estação de trem, tivemos dificuldade para encontrar um táxi grande para levar a bicicleta. Como o hotel era próximo, eu e John (USA) resolvemos ir a pé. Até que, no meio do caminho, os 23kg da bicicleta fizeram nossos cérebros funcionarem, então John ficou com as bagagens e eu fui primeiro até o hotel. Confirmei que havia vaga e pedi ao concierge que solicitasse um táxi grande para buscar John e as bagagens.

Foi restaurador passar a noite em um bom hotel (Pamplona Plaza)! No sábado, pela manhã, fomos até a estação de ônibus comprar passagens a Saint Jean Pied Port. Lá encontramos uma brasileira que eu havia visto no voo em São Paulo e que também estaria no mesmo ônibus e mesmo albergue em Saint Jean: ¡Buen camino, Andrea!

A partida do ônibus seria às 14:30, havia outra opção para o fim da tarde, mas queríamos chegar mais cedo em Saint Jean. Confirmaram que era possível levar a bicicleta montada, assim poderia despachar a mala bike para Santiago lá mesmo em Pamplona, o que seria muito mais barato que despachar em Saint Jean. Antes de partir, eu precisava montar a bicicleta, sempre com a preciosa ajuda de John e exercitando a paciência e persistência com as pequenas dificuldades que apareciam.

Depois de montar a bicicleta, fui pedalando até o Correio e John foi de ônibus levando a mala bike. Chegamos ao Correio às 14:00, mas rá, yeah yeah, sauci fufu… Era tudo pegadinha do malandro e descobrimos que o Correio fechava às 13:00, porque era sábado e havíamos esquecido deste pequeno detalhe. Logo, o outro dia seria domingo e as agências estariam fechadas. Além disso, quando chegamos à estação de trem soubemos que a bicicleta iria no bagageiro com todas as outras bagagens, e deitada, pois não cabia em pé.

Para tudo há solução: coloquei os alforges na bicicleta para proteger os componentes e levamos toda a bagagem para Saint Jean. Lá despachei a mala bike com uma transportadora especializada. Estava em dúvida sobre esta decisão, cheguei a pensar em enviar a bagagem para Pamplona e despachar quando estivesse lá novamente, para economizar. Mas precisaria ter uma hospedagem reservadas para recebê-la. Como bem disse John, não há preço que pague a tranquilidade, e seria um gasto de uma única vez, portanto, bagagem despachada para Santiago por alguns nobres de euros e eu livre de problemas! A ajuda, o companheirismo e os conselhos de John foram fundamentais neste dia: Thank you, dear John!!

Bicigrinos, espero que este relato os ajude a pensar a melhor forma para transportar a bike, considerando os dias da semana para a viagem. Em Saint Jean conhecemos outro peregrino de bicicleta: Damyan (Bulgária), que estava no mesmo ônibus e levou a bicicleta em caixa de papelão até lá, onde descartou a embalagem. Já éramos um trio, quase uma guangue. Passeamos um pouco pela cidade, depois fomos jantar e dormimos no Refúgio dos Peregrinos, onde dividi um quarto privado com Damyan.

Também soube que havia outra peregrina de bici no mesmo albergue: Maria (Espanha). Ela é Damyan seriam minha companhia na primeira parte do caminho: de Saint Jean para Roncescalles, nosso próximo post!

Até lá!

¡Gracias Anabela!: chegando em Madri, partindo para Pamplona

Pousei em Madri pontualmente às 13:50 daqui, como previsto. Então fui para a fila da imigração. Acabei pegando a fila do meio e como Murphy sempre aplica suas leis, era aquela que nunca anda, sabe? Na volta já sei que devo pegar as filas dos cantos. O atendente era simpático, mas fez varias perguntas: motivo da viagem, quando eu retornava, média de quilômetros por dia em Compostela e desejou uma boa viagem!

Fui umas das últimas a sair da fila da imigração e no terminal o de parei precisava pegar um metro interno para ir até a estação onde atariam as bagagens. Tinha apenas umas 4 malas na esteira e a bicicleta estava em m lugar para bagagens especiais, mas no chão e deitada (espero que não de nenhum problema na montagem).

Aquele carrinho de aeroporto aqui é pago, queridos! Bagatela de 1,00€ para pegar uma ficha daquelas antigas de telefone e destrancar seu carrinho.

Então fui procurar qual seria a melhor opção para ir até Atocha, a estação de onde escrevo e onde pego um trem para Pamplona. Informada que poderia transportar a bagagem no trem (uma mala bike de 23kg e a bagagem de sobrevivência com 13kg), preferi esta opção ao ônibus ou metrô, este poderia estar cheio e aquele faria uma grande volta. Comprei o bilhete de trem até Atocha e também para Pamplona.

Consegui trocar uma nota de 500,00€ ao comprar as passagens de trem na bilheteria da Renfe, então não existe aquele mito de dificuldade de trocar essa nota.

Há um degrau entre o trem e as plataformas e estava um pouco complicado carregar 23kg no ombro e puxar uma mala com 13kg, mas Deus já mandou uma boa alma que me ajudou até no desembarque em Atocha e na entrada do embarque do trem que vai a Pamplona. Obrigada Anabela!

Ah, ao passar pelas catracas do trem ou metrô é importante lembrar de pegar e manter os tickets usada, podem ser necessários para acessar áreas de integração de outras estações, como precisei do meu para entrar em Atocha.

No aeroporto, ofereceram um chip com 3GB de internet por 90,00€, muito caro! Acredito que possa encontrar algum mais barato amanhã em Pamplona, com calma.

Encontrei um delicioso sanduíche aqui em Atocha, acho que a comida não será um problema!

Até breve!

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Partida para Compostela

Muitos amigos acompanharam toda minha preparação para fazer o Caminho de Santiago de Compostela e hoje chegou o dia! Aqui do aeroporto de Guarulhos, parto direto para Madri, onde pego um trem para Pamplona e outra condução até Saint Jean Pied de Port, de onde decidi iniciar.

A viagem tem várias motivações, mas como todo peregrino sabe, ela começou no dia em que decidi fazê-la e cá estou.

Talvez algo que seja surpresa é que detesto fazer qualquer coisa sozinha, minha irmã até diz que eu não sei fazer nada sozinha. De fato, chamo minha mãe para me acompanhar até nas compras de supermercado! E este, paradoxalmente, é um dos motivos para a viagem, e também um desafio: ficar sozinha. A questão é que prefiro ter companhia, fica a dica!

Aos poucos contarei por aqui mais motivos, este será o meio onde publicarei todos os passos daqui em diante, acompanhem…

Obrigada a todos que desejaram uma boa viagem, já sinto as boas vibrações. Até Madri!